sábado, 10 de janeiro de 2009

Sayuri  サユリ 第壱

    Um dia comum, várias pessoas encontram-se num ônibus com destino a Foz do Iguaçu. Saem de uma cidade interiorana.
    São onze e meia da noite (23:30hrs), houve-se o alerta do ônibus, um bipe irritante. Uma viagem tranquila, os televisores suspensos são ligados. Trailers, trailers e mais trailers, após longa espera, pode-se ver o logo da produtora, Universal Pictures.
    - The Phantom of the Opera... Há muito não assisto a esse. - exclama uma garota, sentada á frente, no segundo andar, ao lado direito.
    A certa altura da noite, pode-se ouvir pequenos sussurros.
    - Agora é a hora! Vamos levantar com calma e render os passageiros. Nada pode dar errado. - diz o homem ao fundo num nextel.
    Tendo dado a ordem, três (3) homens no andar de baixo e quatro (4) no andar de cima iniciam a operação.
    Dirigindo-se ao motorista, um dos homens saca um revolver e adentra a cabine.
    - Senhor motorista.
    Ao ouvir o chamado, ambos os motoristas voltam-se ao passageiro. E estranharam o fato de estar encapuzado, pois, mesmo que estivesse a aproximadamente dez graus (10°) fora do ônibus, dentro estava a uma temperatura amena.
    - Estamos sequestrando o veiculo. Gostariamos que não houvesse reação alguma para que possamos poupar-lhes a vida.
    Ao mesmo tempo em que o motoristaestava sendo notificado, os outros comparsas também deram o alarme.
    Um caos. Os passageiros foram tomados pelo pânico. Mesmo que os próprios sequestradores pedissem para que não entrassem em pânico e cooperassem para que pudessem sair ilesos, muitos não conseguiam conter-se e começavam a chorar.
    Indignado com tamanha fraqueza que muitos ali demonstravam, o que aparentava ser o lider retirou um celular do bolso, rediscou um número e esperou ser atendido.
    - Senhor! Estamos prontos. Pode iniciar o plano.
    Feito, fechou o celular e colocou-o novamente no bolso. E deslocou-se através do corredor. Analisou cada um dos passageiros, desse andar. Fez um sinal aos parceiros e desceu. No andar inferior, dirigiu-se à cabine e dispensou o companheiro. Com um ar extremamente calmo perguntou-lhes o nome dirigindo-se primeiramente ao motorista.
    - Me... meu nome é Carlos... e... e... es... esse é Marcos...
    Ainda perplexo com a fragilidade de todos, retirou o celular do bolso e entregou-o a Marcos dizendo:
    - Ligue para seus superiores e diga-lhes o que está acontecendo, mas por favor... Seja firme.
    Ao entregar-lhe, sentou-se no painel do ônibus e tentando tranquilizar o homem começou a perguntar se era casado, tinha filhos, o que mais queria na vida, entre outras coisas.
    - Alô. - disse marcos com a voz um pouco trêmula. Senhor, aqui é o Marcos, da linha 4557 com destino a Foz do Iguaçu, e estou ligando para avisar que somos reféns de um grupo que...
    Antes que pudesse completar sua fala, o sequestrador colocou a mão no celular e retirou-o com extrema cautela e disse em voz branda.
    - Boa noite! Com quem falo?
    - Quem é você, onde está Marcos? - gritou a voz do outro lado do telefone.
    - Presta atenção seu idiota repulsivo. - bradou asperamente. Acabo de lhe fazer uma pergunta de modo a não traumatizar a situação e tu acaba por ser ignorante? Ok então. Estava pensando em ser razoavel com a sua pessoa, mas fique tranquilo, ainda terá o que merece. Pelo que percebi o senhor é o dono da empresa não? Senhor Álvaro Portreau Cruz.
    Diante do silêncio do outro lado da linha, gargalhou e recompôs-se dizendo, novamente,em tom sereno:
    - Percebe que não precisa faer escândalo? Agora... Será que poderiamos conversar de modo civilizado? - como esperado recebeu uma afirmativa. Agora sim. Bem... Como o senhor foi avisado, acabamos de sequestrar um de seus ônibus. O senhor pode avisar a polícia se quiser. O que realmente queremos é que deposite 5 milhões de dólares em nossa conta. caso contrário, seremos obrigados a fazer algo que não queremos e temos certeza que o senhor quer evitar que vidas sejam prejudicadas não? Bom, qualquer coisa ou dúvida, pode ligar no celular do Marcso ou do Carlos. Assim, tenha uma ótima noite.
    Ao dizer desligou o telefone e com um sorriso, mesmo que mascarado podia-se perceber, disse-lhes:
    - Muito obrigado por estarem cooperando, se o chefe de vocês fizer tudo direito poderão sair daqui ilesos, e na realidade, é isso o que quero. Vocês são extremamente legais e têm muito por viver, agora com licença, vou deixar-lhes com meu companheiro. Não é que eu não confie em ambos, mas é que faz parte do protocolo.
    Bateu com a mão na porta e saiu, trocando de lugar com o outro. Subiu os degraus e recostou-se no "barzinho", colocou a mão dentro do compartimento e retirou um copo d'água. Bebeu um pouco e pendeu a cabeça para trás até tocar a parede. Fixou o olhar no teto e tentou pensar se realmenet era aquilo que seus filhos poderiam se orgulhar quando lembrassem de seu pai. Dissipou o pensamento balançando a cabeça, pois precisava pensar antes de mais nada, em como se desvenciliar, caso o plano não desse certo.
    Ainda pensando andou mais alguns passos e sentou-se afim de descansar um pouco.